sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu, alienada?




“Daqui me parto irado e quase insano / Da mágoa e da desonra ali passada”
Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas.

Pergunto-me, porque Luis de Camões, em 1572, já retratara a insanidade com tanta clareza?
Talvez porque a sua genialidade era tanta que já soubera que séculos mais tarde, tratar-se-ia dessa mesma demência, dessa eterna loucura.

Meus pensamentos são inusitados, não consigo relacioná-los como uma pessoa normal faria, me deparo com situações que crio, e fantasio. São tão reais que me perco neles, e acabo acreditando no que acabei de inventar. Até me desenrolar, parto pra outra insanidade, e ali fico, enrolo, levo o dia, quem sabe a semana nessa loucura.

Vivo no meu mundo.
Se tudo fosse como penso, eu estaria riquíssima e longe daqui.
Vamos?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Permitir ou Refrear?

Novamente, ressalto a importância da opinião pública, que é um direito, às vezes digno de obrigação, a mesma provém de que a população “x” crê que está “certa” em todos os aspectos, então (a meu ver) cabe à população “y” contrapor.
Opiniões formam-se através de "n" conceitos, crendices, situações vivenciadas, inspirações em autores e nomes renomados. Mudar de visão/opinião apenas para satisfazer ou harmonizar a outra parte... Desculpem-me os tantos, mas, para mim, chama-se: covardia.

Uma histórinha:
-Em uma conversa com pessoas de 60, 40, 30 e 20 anos, discute-se a respeito de política, cada um defendendo um lado, uma ideia.
Por grau hierárquico e por uma boa educação, deixa-se com o ensejo (se é que o temos) a pessoa de maior idade.
Agora, como delegar o que se está “certo”, dentro de um mundo globalizado repleto de paradigmas sociais? Alguns acreditam na religião e outros na ciência.
Contudo, o que me apetece e me faz rir é que, hoje em dia, o caráter de uma pessoa é exposto, de maneira clara, em apenas uma conversa...
Em particular, não me deixo levar por muitos e tolos.
As exceções eu guardo com gosto.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Capítulo XXXII

"— Você jura?

— Juro! Deixe ver os olhos, Capitu.

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me."

Dom Casmurro.
1899.

Minha fidúcia.

Encantamento que me convém... Devastas são suas belas palavras, me encantas.
Podes me escutar? Confias em mim? Então vamos, vem comigo.
Sua ternura me encanta.
Sua maleável indiferença me prende e apreende.
Como falar de você?
Inúmeras e incansáveis possibilidades.
Mas, a que melhor se define: Tudo.
Meu encanto.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quase uma Alice.



Ainda procuro a definição que caiba exatamente com o que sinto (se é que eu sinto alguma coisa), minha frigidez e meu altruísmo às pessoas começaram a me preocupar à medida que não existiam em mim.
Estou incomodada, agora eu sinto saudade, sinto falta, sinto um vazio.
Uma conversa poderia ser tão boa assim? Vou me tratar.
Minha apatia era minha válvula de escape.
Sem aclarações.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Eu.

Desejo? Eu desejo o extremo, quero além do que posso conseguir, quero o formidável, o extraordinário, excepcional. Às vezes me culpo por tamanha ambição.
Eu gosto do insueto, do "cristal raro"...
Troco minhas risadas por uma longa conversa ádvena.
Gosto do complexo, implexo, difícil.
Gosto de mim.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Opção? Ou alternativa?

"Machadiana" que sou, acredito que a opinião pública se divide entre graves e frívolos.
Aqueles que se recusam a adaptar-se às novas mudanças do século são vistos, sob minha visão, como graves. Meramente, os que não se interessam, frívolos.

Onde ficaria o indivíduo em meio à opinião pública?

Um ser social, não vive sozinho, por mais que se sinta à vontade para tal. Necessita expressar algum zelo. É no aconchego familiar que se inicia o pensamente crítico de um indivíduo. Os patriarcas são quem geralmente expressam a primeira opinião, cabe as próximas gerações continuarem o legado.

Direito de escolha, liberdade de expressão? Meramente consciente em um admirável mundo novo. Diariamente, ganhamos novas informações cujo governo infiltra-se na mente das pessoas através da mídia televisiva, e acabam mudando a opinião pública.

Enfim, pra que serve a opinião pública?

Livre arbítrio é questão de escolha.

Revolta, talvez.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Mera lembrança...

Brandas recordações me consolam... se eu pudesse revigorar o que me fora concedido.

Voltar.

Doce alvitre.

Imune as inúmeras cizânias, hoje, regresso.

Nostálgico.

Meu anseio.

Sentimento, de forma genérica, são informações que seres biológicos são capazes de sentir nas situações que vivenciam.

O que se exige de outro alguém é o sentimento íntimo, impiedoso. Que fala, mas outrem cala.

Pede-se um mundo novo, utópico, ideia que outrora não fora correspondida. Dentre instâncias de momentos súbitos de afeição.

Corresponder-me-ia se obtivesse a quem.

Outrora, Capitu.



Olhos de cigana oblíqua e dissimulada, olhos de ressaca, olhos do diabo.
Você já reparou? Acerca de você, acerca de mim. Tão desigual.
Ilustre.
Insigne.
Conspícuo.